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Este é o Ano Portugal-Brasil. Subordinado ao tema “Agora” propõe-se reforçar os laços entre dois países unidos por cinco séculos de história e por uma língua comum. Um ano para esbater distâncias apesar de um oceano separar as duas geografias. Nesse espírito, damos a conhecer o ator português Ricardo Pereira, que há vários anos escolheu o Brasil para viver, simbolizando essa redescoberta mútua e mostrando que a arte e o talento não têm fronteiras.
Nasceu em Lisboa há 34 anos, mas hoje o mundo é o país do ator Ricardo Pereira. Conhecido do grande público pelo seu desempenho em telenovelas como “Perfeito Coração” e “Laços de Sangue” ou filmes como “Crime do Padre Amaro” e “Mistérios de Lisboa”, entre muitos argumentos a que emprestou o seu talento, foi, no entanto, no teatro que se estreou. Estava-se em 2000 quando Ricardo integrou o elenco de Real Caçada ao Sol, que o encenador Carlos Avillez levou à cena do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.
O primeiro passo de uma carreira de sucesso, entre a televisão, o teatro, o cinema e a publicidade. E entre Portugal e o Brasil, país que acolheu o ator português e que Ricardo transformou na sua casa. A base, como ele próprio diz, de onde sai para todos os lugares onde a profissão o chama.
Durante seis anos viveu em trânsito entre Portugal e o Brasil, até que optou por se fixar do lado de lá do Atlântico. Não por cansaço da ponte aérea, mas porque falou mais alto a oportunidade imperdível de trabalhar para o gigante da televisão brasileira e mundial: “A TV Globo, neste momento, é a terceira maior televisão do mundo, logo ter oportunidade de pertencer a esse grupo de atores é muito gratificante. Obviamente que é uma evolução na minha profissão, consequência de tudo o que já fiz no Brasil, tanto na televisão como no cinema”. E, claro, representa a oportunidade de comunicar para 200 milhões de pessoas, que é a população do Brasil, e para os 90 países do mundo para os quais a Globo vende as suas novelas e séries.
É indiscutível que Ricardo Pereira conquistou um lugar na televisão brasileira: em 2004, tornou-se no primeiro estrangeiro a desempenhar o protagonista de uma telenovela da Globo, o que nunca tinha acontecido em 40 anos. “Obviamente que isso me enche de orgulho. E de responsabilidade para corresponder da melhor maneira com trabalho e profissionalismo ao que me é exigido. Mas, quando fazemos o que gostamos é mais simples”.
Ricardo foi Daniel, protagonista de “Como uma onda”, um feito inédito que entretanto já se repetiu, primeiro com “Insensato coração” e agora com “Aquele beijo”. Na “estreia” vestiu a pele de um jovem professor português dos Açores, mas nas novelas mais recentes o sotaque do português de Portugal já deu lugar ao português do Brasil. Intencionalmente. O ator assume: “Nos meus últimos trabalhos, trabalhei com uma fonoaudióloga para fazer os personagens com sotaque de português do Brasil. E deu certo, de tal maneira que cheguei a ser parado na rua para me perguntarem se eu era mesmo um ator português ou se nos trabalhos anteriores tinha feito com sotaque de português. É o melhor elogio que podemos ter e sinal de que o meu sotaque está igual ao de um brasileiro”.