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O Fascínio das Compras

Sex, 27/05/2011 - 10:50

Assim que passo os detectores de metais do aeroporto, o meu coração começa a palpitar. Em primeiro lugar, porque significa que passei com distinção, sem apitar por todos os lados e sem me confiscarem o amaciador. Em segundo, porque estou prestes a enfiar-me num avião, e eu não sou propriamente uma mulher que adora não ter chão debaixo dos pés. Em terceiro lugar, e o melhor de todos, porque tenho pela frente um sem número de lojas para explorar.
O meu marido, que gosta de assentar arraiais na porta de embarque e ficar por ali até à hora da partida, começa a revirar os olhos de impaciência assim que subimos as escadas rolantes e eu desvio a rota. Digo-lhe que é “só uma voltinha”, uma “entrada por saída”, “é que não demora nada, juro”. E aí vou eu, saltitando alegremente entre uma Bimba y Lola, uma Carolina Herrera, ou uma Adolfo Dominguez, entre outras.
Até posso estar prestes a embarcar para uma grande capital da moda onde há tudo e mais alguma coisa, mas compras são compras e nunca, em tempo algum, se desperdiça uma oportunidade. Deve ser por isso que eu sou a única pessoa no mundo que cumpre aquela coisa de ter de estar no aeroporto duas horas antes do voo. Não é por ter medo de ficar em terra, nem sequer é por ser uma pessoa altamente regrada, é só porque preciso de tempo para passear pelas lojas, para comprar todas as revistas e mais algumas ou para comer qualquer coisinha. No fundo, preciso de coisas que me distraiam.
Há quem seja grande apreciador de ficar horas infinitas a ver aviões a aterrar e a levantar, eu sou uma grande apreciadora de malas, roupa e sapatos. Cada um com as suas manias.
Para além disso as lojas exercem sobre mim um efeito tranquilizante, perfeito para quem tem medo de andar (pânico, pavor!) de avião. É uma desculpa tão boa como outra qualquer, certo?

Ana Garcia Martins
Blogger, autora de "A Pipoca Mais Doce" (http://apipocamaisdoce.clix.pt)